sexta-feira, 8 de maio de 2009

PROCURANDO


A Guerra Colonial e as suas contingências, foi sem dúvida um dos factores mais contribuiu para que o êxito Revolução dos Cravos. Esta é uma pequena homenagem a todos aqueles que passaram as tormentas de uma guerra sem sentido, aos que não regressaram, aos que regressaram mas que ainda continuam por lá.

Escalámos altas montanhas,
à procura de uma estrada
que nos trouxesse a alegria.
Cruzámos pontes estranhas,
sobre rios turbulentos
por onde a água corria.

Passámos por estranhos sítios,
por picadas sem ter fim,
até ao rasgar da aurora.
Vimos a guerra, martírios,
misérias, ódios e fome,
que vão pela terra fora.

Não sabemos nem de nós,
nem das estrelas no céu,
num brilhar resplandecente.
Quando o vento trás a voz,
dos canhões que entre a selva,
só sabem matar a gente.

Caminhámos lado a lado,
com a esperança e a certeza
de um dia ver esta terra.
Como um cravo de beleza,
desfraldar a liberdade,
viver a vida sem guerra.

Fomos aquilo que fomos,
mesmo quando obrigados,
a fazer o que não queremos.
Estamos fartos de donos,
porque a paz e a liberdade
só sem eles nós teremos.

Castelo Branco, 1974


Texto: Victor Gil

Fotografia: Humberto Reis (Google)

8 comentários:

Regina Fernandes disse...

Que suas palavras nunca se calem e que sua bela poesia nunca se ausente de sua vida.
Bjs
Lindo final de semana.

Gil. disse...

Gil, Obrigada por me presentear com sua poesia...
=)
Beijo meu.

Meg disse...

Fiquei muito sensibilizada com este poema, denota a expressão duma vivência sentida, que o tal D. Sebastião que dizes ser, deixa antever a tua alma nesta manhã de nevoeiro...hoje, em que revives as tuas emoções passadas.Lindo!
E não esqueçamos Abril...
Abraço...vou passando por cá e apreciando.
Meg
www.bichaneca.blogspot.com

alcinda leal disse...

Bonita poesia e sobretudo testemunho de uma época a não deixar cair no esquecimento!
Obrigada
Alcinda

Sônia Brandão disse...

Victor, parabéns por essa bela homenagem.
Que nunca se calem nossos gritos pela liberdade e pela paz.
Grande abraço.

CANTACLARO disse...

Víctor,

Ojalá se cumpla en el mundo entero este sueño:

"Como um cravo de beleza,
desfraldar a liberdade,
viver a vida sem guerra."

Besos mi querido amigo,

Ana Lucía

.

§♫*€lisa*♫§ disse...

victor

que fuerte y que fuerza
hombre y mujeres luchando por sobrevivir y por ideales que no estoy segura de compartir en épocas en donde los que inventan conflictos se quedan gozando de las comodidades de sus casas...

Un abracito de luz

Sonhadora disse...

A guerra nunca pode ser esquecida.
Eu estive no Leste de Angola.
havia Guerra.
Um abraço