segunda-feira, 7 de março de 2011

Mulher, Flor Violada


    Este poema foi escrito em 1993, no Dia internacional da Mulher, desse ano. Sofreu umas ligeiras alterações, porque algumas coisas mudaram, mas no essencial, está lá tudo. Afinal as mudanças não foram assim tantas. Os suspeitos são os do costume. Fica aqui a minha homenagem às mulheres do mundo.


Mulher, que sentes a força do chicote,
que carregas pelo chão,
os direitos maltratados,
onde os esboços das mordaças,
sangram de noite,
a cor das raças.

Mulher, que trazes nos sexos violados,
os filhos obrigados,
no colo a raiva das facas alheias,
na boca sem desejo,
os ossos dos filhos que morreram,
que dormindo ao frio,
apodreceram…

Mulher, flor trespassada,
mãe portuguesa.
Outras sombras te violam
dentro das casas,
rompe o teu ninho ave sem asas.

É para ti,
que quero erguer a flor,
mãe violada
Rompe o teu canto,
agita a terra,
que as crianças trazem nas mãos,
punhais de guerra.


Guarda, 08/03/93

(Dia Internacional da Mulher)


Texto: Victor Gil
Fotografia: Internet (Google Imagens)

6 comentários:

Joalex disse...

Se alguma coisa mudou de 93 para cá, acho que foi para pior. Não sei o que mudou no poema, o que sei é que está muito expressivo e intenso. Tem a marca dum mestre da palavra.
Um abraço.
José Alexandre

Vanda Mª Madail Rafeiro disse...

Bela homenagem..
Incluída nela, só tenho a agradecer as palavras tão expressivas. Cantar a MULHER assim... tem sentimento e arte!.
Bem haja!
Um abraço
Vanda

Andradarte disse...

Parabéns pelo poema...A melhor homenagem
às mulheres maltratadas...
Abraço

Dulce B. disse...

Parabens por tão belo poema, que pena que estas realidades demorem tanto a mudar infelizmente.

RosanAzul disse...

Olá meu querido poeta!
Lindo teu poema, parabéns!
Bela homenagem...
Meu carinho de sempre!
Beijo azul!
RO

Amapola disse...

Boa tarde, Victor.

Estou lhe seguindo e voltarei depois, para ler com mais calma.

Um grande abraço.
Maria Auxiliadora (Amapola)