segunda-feira, 14 de março de 2011

Mil Patas de Arpões


     Em 1992, quando fiz este poema, estávamos no XII Governo Constitucional, tendo como primeiro-ministro o Prof. Cavaco Silva, dele faziam parte alguns dos indivíduos mais falados na actualidade e nem sempre pelas melhores razões, como é o caso de Dias Loureiro, Marques Mendes, Deus Pinheiro, etc., mais tarde iria fazer parte do mesmo, entre outros, o nosso ex-MRPP Durão Barroso. Durante este e outros governos, houve uma série de acontecimentos, entre os quais o bloqueio da Ponte 25 de Abril, que gerou confrontos violentos. Fez-me lembrar as cargas policiais e pidescas sobre os contestatários do Estado Novo. Daí este poema, o sentir que eles andam aí. Os sugadores do nosso sangue e suor. Como vêem à rasca já andamos faz muito tempo. E são sempre os mesmo que nos põem nessa situação. Portanto há que continuar alerta. A luta continua.


Cada vez se sente mais perto,
o roçar das serpentes,
em mil bocas de mães.

Com mil patas de arpões,
pairam nas sombras dos muros feridos,
pingam de sangue,
asas de abutres,
lágrimas de vermes,
adormecidos.

Outra vez nos querem pisar,
(nos pisam),
insectos nascidos em alçapões,
já cantam a morte
e as mãos se agitam,
na mordaça dos caixões.

Cada vez se sentem mais perto,
com mil chamas de archotes,
queimando as gerações.


 Guarda, 08/10/1992.

Texto: Victor Gil 
Fotografia: Pedro Gil

5 comentários:

Andradarte disse...

Até arrepia..será do Frio...??
A luta continua..
Abraço

Joalex disse...

E vão ser os mesmos que vão continuar a fazer andar à rasca a maior parte do povo. Eles sentem-se com autoridade para isso por causa dos votos que, por enquanto, ainda vão tendo. Se não forem uns são os outros, sempre os mesmos do costume!
José Alexandre

angela disse...

Esses vermes escondem-se por anos na escuridão esperando o momento certo para vir a tona. A vigilância tem que ser constante pois eles não desistem jamais.
Forte poema.
beijos

RosanAzul disse...

Gosto do teu senso de justiça...
Meu carinho, beijo azul, RO

Márcia Cristina Lio Magalhães disse...

Poema forte!

Um imenso abraço amigo querido...