terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

ZECA AFONSO - O Cantor da Liberdade

José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos nasceu a 2 de Agosto de 1929, em Aveiro, filho de José Nepomuceno Afonso, juiz, e de Maria das Dores Dantas Cerqueira, professora primária. José Afonso morreu no dia 23 de Fevereiro de 1987, no Hospital de Setúbal, às 3 horas da madrugada, vítima de esclerose lateral amiotrófica, diagnosticada em 1982. O funeral realizou-se no dia seguinte, com mais de 30 mil pessoas. 

 


Faz hoje 23 anos que deixou de estar entre nós fisicamente, mas continua vivo dentro daqueles que ainda pugnam pela Liberdade de acção e expressão. Ainda hoje a maioria das suas canções continuam actuais, perante os desvarios políticos, perante os desvarios sociais de uns quantos, que todos conhecemos.
Muito há para falar sobre Zeca Afonso, como tal seguem duas hiperligações da Associação Zeca Afonso, para que os interessados possam conhecer melhor o Cantor da Liberdade.

http://www.aja.pt/biografia.htm

"Os Vampiros", canção de luta do passado, está cada vez mais actual. Eles continuam a comer tudo.         




 



                (“Este rio este rumo esta gaivota
           que outro rumo deverei seguir
                                        na minha rota?”)

                 (in “UTOPIA”, de  Zeca Afonso)   

Partis-te numa estrela-d’alva,
operário dos poetas.
Das palavras que atiravas,
as armas certas,
as pedras como espadas.

As ruas esqueceram-se das folhas
que caíram violadas.

Ficou no vento a madrugada,
a flor de Abril.
Aqui te canto o Maio,
terra levantada do chão,
Catarina ao sol de Baleizão.

Caiem as asas dos dedos desta luta
que trago na mão.

Ardem na noite as fogueiras,
a chama é pouca.
Nascem papoilas nos trigais,
outros cantos e clarins já soam,
outros moços,
outros ventos já ecoam.

Sobre as cinzas dos barricados,
já outros vampiros voam.

Partis-te numa estrela-d’alva.
Deixas-te as armas certas,
a flor de Abril,
as palavras como espadas.
Mas as ruas esqueceram-se das folhas
que caíram violadas.
                                    
            (A todos os homens livres)      


Guarda, 23/02/1992

(5.º Aniversário da Morte de Zeca Afonso) 

Texto: Victor Gil 

5 comentários:

Andradarte disse...

Será sempre lembrado pelos anos fora.
Abraço

Sonhadora disse...

Meu querido amigo
O Zeca estará sempre vivo, para quem ama a liberdade.

Beijinhos
Sonhadora

angela disse...

Bonita homenagem. Algumas pessoas nesse mundo são especiais e nos deixam lembranças e feitos honrados. Ele ainda deixou lindas canções.
beijo

Carmo disse...

Abril sempre! Jamais esquecerei Zeca Afonso. Há pessoas que morrendo continuam bem vivas na nossa memória e Zeca é uma dessas pessoas.

Zeca estará sempre nos corações.

As homenagens a Zeca nunca são em demasia.

Bom fim de semana

Carmo

rouxinol de Bernardim disse...

Quem diria, até o Luís Figo, mais um vampiro!...

Não deixa de ser curioso recordar o epíteto de «pesetero» quando trocou Barcelona por Madrid depois de ter feito tantas declarações de amor à capital da catalunha!