sexta-feira, 19 de junho de 2009

CAMINHEIRO

Com a queda da ditadura era altura de começar a construir um País novo. Por isso o regresso dos soldados e emigrantes, era importante para a nossa estabilidade. Daí este poema de boas vindas aos nossos caminheiros, espalhados pelo mundo.


De onde vens ò caminheiro
e onde vais, que também vou?
Venho de terras onde era,
aquilo que aqui não sou,
vou reconquistar a terra,
que o fascismo me roubou.

De onde vens ò caminheiro
e onde vais, que vou contigo?
Venho da saltar fronteiras,
onde o vento é meu amigo,
vou encher as nossas eiras
e as searas com trigo.

De onde vens ò caminheiro
e onde vais com esse olhar?
Venho da guerra cansado,
onde vi irmãos tombar,
vou esperar pelos soldados,
que regressam de além-mar.

De onde vens ò caminheiro
e onde vais cheio de esperança?
Venho farto de andar
por essas terras de França,
vou com esperança organizar
a nossa pesada herança.

Espera por mim caminheiro,
que eu contigo quero ir,
quero estar sempre a teu lado
para o país reconstruir,
quero ver de novo o arado,
sulcos na terra a abrir.

Quero ver meu povo livre,
caminhando de mãos dadas,
percorrendo sem mistério,
estas sinuosas estradas,
trabalhando agora a sério,
nestas terras libertadas.

Alfeite, 10/02/1975

Texto: Victor Gil
Fotografia: Rui Ramos (Olhares.com)

18 comentários:

Branca disse...

Duas coisas que não podemos perder jamais: Liberdade e a esperança de que dias melhores virão!

Deixo meu abraço Victor e o desejo de um excelente fim de semana pra ti!

Regina Fernandes disse...

Adorei a articulação: foto, História, poema. Lindo!
Bjs amigo
Lindo fim de semana

Lídia Borges disse...

Sonhar uma terra, um país...

Cumprimentos

Princesa disse...

O caminho é o que importa, não o seu fim. Se viajar depressa demais, vai perder aquilo que o fez viajar.

Um beijo

Eduardo Trindade disse...

O destino do homem é andar, caminhar... Sendo que há muitas formas de fazê-lo. Que seja um caminhar construtivo, não é mesmo?
Abraços!

azul disse...

Muy bonito el poema ...ojala pudieramos construir una hermandad de manos agarradas y hacer una cadena de paz y que no hubieran más guerras

Hoy casualidad de la casualidad

Un saludo

Gaspar de Jesus disse...

Victor Gil
Quero dar-lhe os meus sinceros parabéns pela alta qualidade deste Blog.
Votos de bom fim de semana
G.J.

Belkis disse...

"Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar". Y si al caminar construimos hermandad y logramos la paz cuanto mejor. Demuestras mucha solidaridad. Muchos besos y me gusta el cambio en tu blog.

Alice Matos disse...

Caro Victor...

não é sem emoção que entro neste teu espaço e encontro palavras que ainda pulsam, que ainda respiram, ideais e sonhos de uma esperança renovada...

No passado mês de Abril... um aluno de 8 anos perguntava-me " e... achas que faziam bem em ir embora do país? Não era melhor ficar?"... respondi como pude... na linha deste teu poema...

Se me permites, vou guardar o teu poema, sem lhe retirar os devidos créditos, e estará na primeira linha para estudar com eles em Abril de 2010.

Beijo para ti...

Belkis disse...

Vengo a dejarte un abrazo y a desearte una muy feliz semana

Fernando Santos (Chana) disse...

Caro amigo, belo poema...Espectacular....
Um abraço

§♫*€lisa*♫§ disse...

este caminante así como el de machado
son luces para seguir
para no dejar morir la esperanza
ni el sueño libertario

Precioso letrado!!
y que lindo verte el rostro!!
te haces más real y humano
Un abracito de luz
que tengas una semana preciosa

Borrasca disse...

Víctor ojalá nuestros caminantes léase en mi país desplazados, volvieran pronto a sus terruños de donde jamás debieron salir...

Que hermoso post y comparto lo que dice Elisa, conocer tu rostro me hace sentirte más cercano.

Besos borrascosos

Menina do Rio disse...

Muito interessante.

Hoje os tempos mudaram; não muito, mas ao menos temos o livre pensar.

Aproveito pra te agradecer o carinho da visita e palavras deixadas.

Seja sempre bem vindo, Victor
Beijos

Meg disse...

Recordo:
"Se houver um caminho entre aquele que marcha e o objectivo para o qual tende, há esperança de o atingir; se faltar o caminho, de que serve o objectivo?"
Fonte: "Santo Agostinho

Acrescento:
O caminho faz-se caminhando...
Abraço para o caminheiro de Abril
Meg

Belkis disse...

Besos Victor

Olhar o mar disse...

Olá amigo,
Tenho andado arredado do meu blog e não me dei conta da boa surpresa que me tinha reservado.
Apesar de ter sentido e vivido o 25 Abril na plenitude da juventude, não fui, graças aos capitães de Abril e à revolução, desterrado para a tropa ou para a guerra, no entanto o sentimento de Abril, a vida, a esperança que despertou, as campanhas de dinamização do MFA, as intervenções do SAAl nos bairros mineiros, a constuitição de comissões de moradores, em tudo participei e disso me orgulho.
Uma boa escolha manter vivo o nome desse grande poeta e trovador que é o Zeca Afonso, o Adriano Correia de Oliveira, o Zé Mario Branco e tantos outros.
Um bem haja e até um dia
sfsousa/olharomar

Marco Reis disse...

Olá Victor
Fui dar uma visita por Termas de Monfortinho... e esta imagem, se a memória não me falha, captei-a de Penamacor para Monsanto...
Mas que bela região para se visitar... ainda com muito ambiente calmo!
Abraço
PS: Não há sangue da Beira ;)