domingo, 25 de junho de 2017

O FOGO EXTINGUIU-SE!



O fogo extinguiu-se!
Mas não se extinguiu o negro da queimada,
os gritos da estrada perdida,
os brados das vidas espalhadas,
os troncos sombrios da terra ,
os caminhos perdidos da serra.

Não se extinguiu o fumo debaixo dos pés,
o cheiro da roupa suada,
o luto das estátuas crestadas,
o negro dos vultos esgotados,
o pranto dos rostos esvaziados,

Não se extinguiu o medo do tempo,
onde os dias passam devagar,
onde os riachos ocultam as margens,
onde as aves esvoaçam libertas,
onde as veredas circundam charnecas.

Não se extinguiram as aldeias mornas,
as portas modestas no trinco,
as chaminés que ainda fumaçam,
as casas de frinchas abertas,
as pedras caiadas e as ruas desertas.

O fogo extinguiu-se!
Mas o fumo debaixo dos pés,
o medo do tempo das aldeias queimadas,
não se extingue no negro das vidas espalhadas.

Texto: Victor Gil

Fotografia: Google Imagens

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