domingo, 25 de abril de 2010

Para quê a Pressa


Passados 36 anos da Revolução do 25 de Abril, pouca ou nada mudou. Nalgumas coisas, como é o caso da corrupção, até aumentou. Pelo menos aumentou o número de corruptos. Novamente a fome, o desemprego, a mendicidade, aumenta em ordem inversa àqueles que têm somas chorudas a cair nas suas contas, através de prémios e benesses, de mérito pouco transparente. Quando haverá um abrir de olhos? 25 de Abril, sempre. Fascismo nunca mais.

Mais um tempo que começa,
para quê a pressa.
Se o tempo vai e não volta,
para quê a pressa,
se o tempo passa depressa,

Se a ordem se faz com armas,
para quê a pressa.
Se nos caminhos há pedras,
para quê a pressa,
se o mar avança e regressa.

De Abril só os lamentos,
para quê a pressa.
Se no vento soam brados,
para quê a pressa,
se a incerteza já começa.

Os ideais estão a morrer,
para quê a pressa.
Nas palavras da mentira se tropeça.
Novos mitos, novos ritos,
nova geração se apresta.

Para quê a pressa,
se a verdade só é esta.

Lisboa, 04/01/1994.

Texto: Victor Gil
Fotografia: Pedro Sarmento (Google Imagens)

5 comentários:

angela disse...

Tem um velho ditado, mão lembro quem falou: "O preço da liberdade é a eterna vigilancia"
beijos

Joalex disse...

Não podemos perder a esperança que Abril nos deu. É preciso estar estar vigilante para não nos roubarem a liberdade conquistada com tanto esforço.
Um abraço!

Endim Mawess disse...

belissimas estrofes, sentimento e ação.

armalu disse...

Belo texto, grandes verdades, mas... pouca eficacia, continua tudo na mesma ou pior ainda, a nivel de desemprego, fome, pobreza.

Márcia Cristina Lio Magalhães disse...

"se o mar avança e regressa..."

Amigo Gil, sem pressa de te ler, e reler...

Grande abraço!